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Capacitismo nos grupos de apoio


Elayne está com o rosto apoiado na mão, com uma expressão séria. Ela usa óculos, tem cabelos médios escuros, é uma mulher branca.

 

Quem é Elayne?


Sou uma mulher, branca, cisgênero. Tenho 29 anos, uma aprendiz de gente, graduada em design de moda e cursando psicopedagogia. Mãe de um garoto bem legal chamado Guilherme.


A sua formação é Design de Moda, o que te levou a estudar

psicopedagogia?


A partir das demandas de Gui, comecei a usar o que tinha no meu repertório como Design, mais sempre fui muito sedenta de conhecimento. Dentro dos ambientes terapêuticos, conversas com médicos, escutava muitos termos técnicos e por contra própria fui buscar conhecimento para compreender. Me fascinei, e quanto mais compreendia, mais conseguia ter uma troca legal com os profissionais. Pensei em vários cursos e o que se encaixou foi Psicopedagogia pelo objeto de estudo ser aprendizagem, algo que me encanta.


Como tem sido a sua experiência enquanto mãe de uma criança com deficiência?


Maternar é um ato político. Não é fácil, pois nesse lugar se carrega muito estereótipos, existe muita romantização na maternidade, e na “atípica” não é diferente. Ter um filho neurodivergente me alterou dolorosamente, mas também iluminou, meu olhar para o mundo é outro. Meu filho não é deficiente, mas sim o mundo, as roupas, as calçadas, os ônibus...


Você se sente acolhida nos grupos que participa?

Não. Já saí de vários por não me identificar com os discursos abordados.


O que mais te incomoda dentro desses grupos?


O capacitismo. Resume as crianças e jovens ao diagnóstico, não se conecta com o ser humano, que é muito complexo, composto por inúmeros sentimentos e desejos. Fico muito triste.


O que você acha que pode ser feito para melhorar essa dinâmica?


Informação segura, abordar temáticas mais complexas, tentar quebrar paradigmas, falar mais em teoria social, sobre interseccionalidade, existem vários tipos de opressão, não se pode eliminar o racismo sem falar de capacitismo. Muita subdivisão dificulta a luta que é única. Eu sou porque nós somos, já diz a filosofia ubuntu.


Qual a importância da diversidade?


O mundo se torna mais interessante por ter todo tipo de pessoa se apresentando nele de maneira diversa. Somos múltiplos, isso reforça nossa identidade da maneira que nos apresentamos no mundo. “Se aprende com as diferenças e não com as igualdades.” Escreveu o maravilhoso Paulo Freire


Na sua visão, como podemos tornar o mundo mais acessível?


Politicas públicas que alcance a todos, representatividade, disseminar informação segura sobre inclusão, capacitismo, dispositivos de mobilidades eficazes, padrões de tecnologia assistida, alastrando a fronteira da humanidade para todos, todas e todes.

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